Manual de Sobrevivência do Interno: Como impressionar o residente (e deixar de ser apenas o "estagiário")

Bem-vindo ao internato. A fase em que você paga para trabalhar, dorme pouco e, na maioria das vezes, sente que a sua principal função no hospital é segurar afastador no centro cirúrgico ou correr atrás de resultado de exame impresso.

Existe uma piada interna na medicina de que o interno é como uma "samambaia": está lá no canto da enfermaria, faz parte do cenário, mas ninguém nota muito se ele não estiver.

Se você está cansado de ser a "samambaia", preste atenção.

Existe um segredo para se destacar no internato que não envolve saber a fisiopatologia da doença mais rara do mundo. O segredo para impressionar o seu R1 (e o staff) é muito mais simples: Organização e Confiabilidade.

O residente está a afogar-se em trabalho. O interno que brilha não é o que faz perguntas complexas no meio do caos; é o interno que alivia a carga mental do residente.

E para fazer isso, você precisa parar de confiar no seu bloquinho de notas amassado e começar a usar uma ferramenta de gente grande.

O Interno "Padrão" vs. O Interno "Buxo"

Vamos imaginar o cenário clássico: a visita matinal. O staff pergunta ao R1: "Como estão os eletrólitos da Dona Maria do 304?". O R1, sobrecarregado, hesita.

Nesse momento, existem dois tipos de internos:

Tipo 1: O Interno "Padrão" (Analógico) Ele começa a folhear desesperadamente um caderno cheio de garranchos, derruba uma caneta, fica vermelho e diz: "Acho que eu anotei aqui em algum lugar, doutor, só um minuto...". Resultado: O residente fica stressado e o staff assume que você não sabe o que está a acontecer.

Tipo 2: O Interno "Buxo" (Digital) Ele saca o celular do bolso com calma. Em dois toques, a informação está na tela. Ele diz, com segurança: "Potássio de 3.8 e Sódio de 137, saíram às 6h da manhã. Já estão melhores que ontem." Resultado: O residente respira aliviado e pensa: "Graças a Deus esse interno existe".

Como usar o Buxo para "Hackear" o Internato

O Buxo não vai estudar por você. Mas ele vai garantir que você tenha os dados na mão para brilhar quando a oportunidade surgir.

Eis o seu plano de ação para deixar de ser "apenas o estagiário":

1. Seja o Guardião dos Dados (O "Censo Vivo")

O residente tem que gerir 20 pacientes. Você, interno, geralmente fica responsável por 3 ou 4. A sua obrigação é saber tudo sobre esses 4. Use o Buxo para manter o "mini-censo" dos seus pacientes impecável.

  • Que dia de antibiótico é hoje? Está no app.

  • Qual a pendência da assistente social? Está no app.

  • A família trouxe os remédios de casa? Está no checklist do app.

Quando você domina os dados, você domina a visita.

2. Antecipe as Pendências (Seja Pró-ativo)

Não espere o residente mandar você fazer algo. Durante a visita, se o staff diz "precisamos de um parecer da cardiologia", não anote no papel. Abra o Buxo e crie uma pendência imediatamente: [ ] Solicitar parecer Cardio. Cinco minutos depois, quando o residente for te pedir para fazer isso, você diz: "Já está na minha lista, doutor. Vou ligar assim que acabar a visita."

Isso é música para os ouvidos de qualquer R1.

3. Prepare a Evolução para o Residente

O residente odeia ter que começar a evolução do zero no computador. Use o Buxo para fazer o rascunho da sua evolução (no formato SOAP que ensinamos antes). Quando chegar a hora de passar para o computador, você já tem os dados vitais, as queixas e o plano organizados. Você poupa 20 minutos do dia do seu residente, e ele nunca mais vai esquecer isso.

Conclusão: Assuma a responsabilidade

O internato é o que você faz dele. Você pode passar dois anos a ser invisível, ou pode assumir a responsabilidade pelos seus pacientes como se já fosse o médico deles.

A diferença entre o estudante e o profissional começa na postura. E a postura começa com a organização.

Pare de andar com papéis soltos. Baixe o Buxo, organize os seus pacientes e mostre à sua equipa que você está pronto para o próximo passo.